A Sofia, startup sul-americana de administração de despesas empresariais, revelou durante o Encontro Digital Rio a introdução do Sofia Mundial. Trata-se de uma nova plataforma de gerenciamento de custos — cuja programação foi criada exclusivamente com inteligência artificial — que possibilita às corporações controlar as despesas de seus colaboradores em qualquer região e moeda.
Para viabilizar a inovação, a Sofia utilizará criptomoedas estáveis (moedas digitais vinculadas a ativos estáveis, como o euro). Na divulgação, a empresa anunciou o lançamento de cartões corporativos que empregam essa tecnologia nos bastidores para viabilizar o suporte a transações em variadas moedas fiduciárias.
Neste serviço, os ativos virtuais serão utilizados exclusivamente como estrutura de pagamento subjacente, e não como um recurso de saldo voltado para o cliente.
“Do ponto de vista do comprador, a experiência é simples: eles carregam os recursos, gastam na moeda local e a plataforma cuida do restante. Ou seja, eles não precisam administrar, manter ou compreender criptomoedas estáveis para utilizar o Sofia Mundial. A complicação é totalmente ocultada”, esclareceu o CEO da Sofia, Gerry Giacoman Colyer, em entrevista ao Portal do Bitcoin.
O executivo esclareceu que não está nos planos da empresa criar uma moeda própria e revelou que a moeda escolhida para a solução de cartões será a USDC, emitida pela Circle. A seleção se deve aos robustos benefícios de conformidade regulatória da moeda e pelo fato de ela ter se tornado o padrão de referência mundial para pagamentos corporativos e infraestrutura financeira B2B.
Conforme Colyer, a introdução das criptomoedas estáveis é uma estratégia para que a startup consiga oferecer suporte a um maior número de moedas e consolidar presença em mercados onde ainda não atuava.
“Para a Sofia, trata-se de rapidez na entrada no mercado (speed to market) em países onde atualmente não operamos. Para os nossos clientes, trata-se de obter acesso para poder pagar e liquidar em mais moedas e países do que era possível anteriormente”, finalizou o executivo.
Conforme a empresa, o Sofia Mundial foi desenvolvido em poucas semanas por uma equipe de três indivíduos, incluindo um engenheiro especializado em segurança, utilizando ferramentas de IA como Claude Code no ambiente principal de desenvolvimento. A empresa afirma que, antes da IA, um projeto desse porte levaria cerca de dois anos para ser finalizado pela mesma equipe, e que a maior parte do tempo agora foi dedicada à infraestrutura e requisitos de segurança.
A startup também afirma que o produto inaugura uma lógica que denomina de “aprimoramento automático de software”. Na prática, usuários poderão fornecer feedback por um widget integrado à plataforma, e essas sugestões serão consolidadas, resumidas e convertidas em demandas de produto que podem ser executadas pela IA de modo autônomo ou com supervisão humana.
Conforme Juan Zuluaga, diretor de Produto da Sofia, essa base pode permitir que recursos solicitados por clientes sejam entregues “até no mesmo dia”.
O lançamento também vem acompanhado de um crescimento do uso corporativo de IA entre clientes da Sofia. Com base em informações de mais de 10 mil empresas no Brasil, México e Colômbia, a startup afirma que os gastos corporativos com ferramentas de IA aumentaram 423% no Brasil, 734% na Colômbia e 321% no México entre junho de 2025 e maio de 2026. No Brasil, que representa aproximadamente metade do gasto regional monitorado, a participação da Anthropic nos gastos corporativos com IA subiu de menos de 3% para 53% em 12 meses, enquanto a da OpenAI caiu de 72% para 24%.
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Fonte: Portal do Bitcoin

