O progresso da tokenização de ativos tem o potencial de impulsionar o setor de finanças descentralizadas (DeFi) a alcançar US$ 2,7 trilhões até 2030 e fazer o token UNI, da Uniswap, aumentar quase 40 vezes no mesmo período, de acordo com as projeções do Standard Chartered.
A cobertura da Uniswap, protocolo de troca descentralizada, foi iniciada pelo banco na segunda-feira (15), com uma previsão otimista para o token. Geoffrey Kendrick, líder global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, estima que o UNI possa saltar do valor atual de aproximadamente US$ 2,70 para US$ 100 até o final de 2030.
Kendrick afirmou: “Eu acredito que a próxima chance de riqueza de longo prazo em ativos digitais virá por meio dos protocolos DeFi.”
A análise do banco sugere que a tokenização levará mais ativos tradicionais para blockchains, resultando em um novo crescimento para protocolos que fornecem negociação, liquidez e infraestrutura onchain. Segundo Kendrick, os ativos tokenizados em blockchain podem chegar a US$ 4 trilhões até o final de 2028, saindo dos atuais US$ 340 bilhões.
Para a Uniswap, a ampliação da parcela desses ativos utilizada diretamente em DeFi é crucial. O Standard Chartered prevê que essa participação suba de 3,5% atualmente para 30% até 2030. Combinado com o crescimento dos criptoativos nativos, isso poderia elevar o valor bloqueado em DeFi para cerca de US$ 2,7 trilhões, 37 vezes mais que o nível atual.
A Uniswap se beneficiaria significativamente, já que seus pools de liquidez teriam mais ativos disponíveis para negociação. Quanto maior a quantidade de ativos tokenizados sendo negociados onchain, maior o potencial de volume em exchanges descentralizadas.
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Segundo Kendrick, se a Uniswap puder expandir suas operações comerciais e estabelecer parcerias significativas com instituições financeiras tradicionais, seu valor de mercado em relação às taxas de transação pode aumentar, reduzindo a diferença em relação à Coinbase, principal exchange de criptomoedas dos EUA.
O Standard Chartered estima que o UNI alcance US$ 6,50 no final de 2026, US$ 20 no final de 2027, US$ 40 no final de 2028, US$ 65 no final de 2029 e US$ 100 no final de 2030. Kendrick também prevê que o desempenho do token supere o do Bitcoin e do Ethereum nesse período.
“Uniswap é como o YouTube; Coinbase é como a Netflix”
Para ilustrar a diferença entre Uniswap e Coinbase, Kendrick compara os modelos ao YouTube e à Netflix. Enquanto a Uniswap é como o YouTube, uma plataforma aberta que permite a criação de pools de liquidez e a negociação de tokens, a Coinbase se assemelha à Netflix, com uma infraestrutura centralizada controlada pela empresa.
De acordo com o analista, a Uniswap possui uma estrutura com menor necessidade de capital, pois a liquidez é fornecida pelos usuários, e não pela plataforma. Isso pode ser uma vantagem em negociações de ativos semelhantes, como stablecoins e tokens de ether em staking, além de tokens menos populares que não teriam volume para serem listados em grandes exchanges centralizadas.
Kendrick prevê que os ativos tokenizados do mundo real se tornem uma área de competição entre Uniswap e Coinbase. Enquanto a Coinbase opera em uma estrutura centralizada e regulada, a Uniswap busca conquistar esse mercado por meio de uma infraestrutura descentralizada e aberta.
Apesar de processar volumes de transações comparáveis à Coinbase, a Uniswap opera com múltiplos de valor de mercado e taxas geradas significativamente menores. O Standard Chartered acredita que um aumento na comercialização da Uniswap e parcerias com o mercado financeiro tradicional podem reduzir essa discrepância ao longo do tempo.
Um aspecto crucial da estratégia são as mudanças recentes nas taxas da Uniswap. Até dezembro de 2025, todas as taxas de swap eram direcionadas aos provedores de liquidez. Com a UNIfication, o protocolo introduziu suas próprias taxas e queimas programáticas de tokens UNI. Votações de governança posteriormente expandiram a cobertura dessas taxas para mais pools de liquidez.
Desde a implementação desse sistema, a Uniswap gerou cerca de US$ 21 milhões em taxas de protocolo e queimou 5 milhões de tokens UNI, o que equivale a uma taxa anual de queima de aproximadamente 1%, de acordo com Kendrick. Com uma queima adicional de 100 milhões de UNI, a oferta total foi reduzida de 1 bilhão para 895 milhões de tokens, enquanto a oferta em circulação diminuiu para 622 milhões.
Riscos ainda incluem regulação e concorrência
Apesar das previsões otimistas, o Standard Chartered destaca alguns riscos. Exchanges descentralizadas menores podem desenvolver produtos mais adequados para casos específicos e conquistar parte da atividade esperada para a Uniswap. Além disso, atrair volumes significativos de ativos tokenizados do mundo real exigirá esforços comerciais intensos e parcerias com instituições financeiras tradicionais.
A regulação será um fator determinante. Kendrick enfatiza que regras claras, como a eventual aprovação do Clarity Act nos EUA ou novas orientações da Securities and Exchange Commission (SEC), podem reduzir incertezas e facilitar a adoção institucional de protocolos DeFi.
Outra área de atenção é o sistema de hooks da Uniswap V4, permitindo maior personalização de pools e estratégias de negociação. Segundo o analista, essa tecnologia ainda não foi testada em larga escala conforme projetado pelo Standard Chartered para 2030.
Contudo, o banco acredita que a tokenização tem o potencial de expandir o mercado para DeFi. Se ativos como títulos, fundos, créditos e ações migrarem para blockchains, protocolos como a Uniswap poderão se tornar parte fundamental da infraestrutura dos mercados financeiros.
Nesse contexto, o UNI representaria uma forma direta de se expor ao crescimento desse setor. O Standard Chartered aposta que, caso a Uniswap consiga transformar volume em receita, fortalecer sua governança econômica e se aproximar do mercado financeiro tradicional, o token pode se posicionar como uma parte significativa da próxima etapa dos ativos digitais.
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Fonte: Portal do Bitcoin

