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    Início - Investimentos - Como Proteger Seu Patrimônio Diante da Onda de Recuperações Extrajudiciais no Crédito Privado
    Investimentos

    Como Proteger Seu Patrimônio Diante da Onda de Recuperações Extrajudiciais no Crédito Privado

    MorelliBy Morelli2 de abril de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    O comércio nacional de finanças particulares enfrenta um período de instabilidade que vem fazendo com que investidores reconsiderem suas estratégias. A elevação nos pedidos de recuperação extrajudicial (RE) por corporações de capital aberto reflete um contexto macroeconômico desfavorável, caracterizado pela manutenção de taxas de juros em níveis elevados e um crescimento econômico inferior a 2%.

    Segundo Marcos Camilo, Líder Executivo da Pulse Capital, essa situação não é abrupta, mas sim resultado de um ambiente no qual os gastos financeiros consomem a liquidez operacional ao longo do tempo. Quando as taxas de juros permanecem altas por períodos prolongados, a inadimplência torna-se uma consequência inevitável para empresas muito endividadas.

    Aumento de juros ‘esgotou’ caixa das corporações

    Sumário ocultar
    1 Aumento de juros ‘esgotou’ caixa das corporações
    2 ‘Adesamento’ nas agências de avaliação e busca por ganhos elevados
    3 Cautela e variedade
    4 O lapso de alívio: 2027 e 2028

    A relação entre o custo da dívida e a obtenção de receita é o cerne dessa crise. Bruno Perri, co-fundador da Forum Investimentos, esclarece que a maior parte das dívidas corporativas é pós-fixada (atrelada ao CDI), o que faz com que o montante devido aumente rapidamente em contextos de juros elevados. “Empresas que se endividaram consideravelmente com dívidas pós-fixadas (a taxas variáveis) em 2020 [quando a Selic estava em 2%] ou no final de 2023 [quando a Selic começou a cair], veem o custo de suas dívidas aumentar rapidamente”, declara Perri.

    Surge ainda um gatilho para a atual aversão ao risco, que remonta a acontecimentos recentes, como os casos Raízen, GPA e Americanas, além de irregularidades em instituições financeiras, como o Banco Master e Digimais.

    “Esses acontecimentos intensificaram a percepção de risco, levando os investidores a exigirem prêmios maiores, o que culminou no aumento dos spreads”, explica Perri. Tal movimento teve um impacto direto nos bolsos: em fevereiro e março, diversos fundos de crédito operaram abaixo do CDI, refletindo a desvalorização causada pela abertura dessas taxas.

    Por outro lado, a receita das empresas tende a crescer apenas em consonância com o PIB e a inflação, resultando em uma progressiva piora nos índices de endividamento e na habilidade de cobrir juros. “A renda dessas empresas aumenta de forma mais lenta do que o gasto financeiro, elevando o endividamento e reduzindo a cobertura de juros”, considera Perri.

    O Líder Executivo da Pulse Capital reforça que um contexto de juros altos por longos períodos consome a liquidez operacional. “As empresas gastam quantias consideráveis em despesas financeiras, reduzindo a capacidade de investimento e de cumprir obrigações operacionais. A inadimplência se torna inevitável”.

    Para o investidor pessoa física, o impacto mais imediato dessas reestruturações se reflete no valor dos ativos e na liquidez. No caso da Raízen, títulos de crédito como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) chegaram a apresentar descontos de até 70% no mercado secundário em comparação com o valor original, conforme Perri, o que significa que um investimento de R$ 10 mil pode ter seu valor no mercado reduzido para R$ 3 mil em momentos de pressão.

    ‘Adesamento’ nas agências de avaliação e busca por ganhos elevados

    Um dos principais riscos para o investidor está na confiança cega em notas de avaliação e na busca por taxas de retorno elevadas sem uma análise técnica adequada. Bruno Perri critica a demora das agências classificadoras de risco em reduzir o rating de empresas que já evidenciam deterioração financeira.

    “As agências de avaliação são consideradas lentas para reconhecer mudanças, e casos recentes de companhias com notas positivas que entraram em recuperação judicial evidenciam a necessidade de análises mais minuciosas”, afirma Perri.

    Além disso, diversos investidores negligenciam o fato de que ativos como Debêntures, CRI, CRA e FIDC não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre apenas instrumentos como CDB, LCI e LCA.

    Cautela e variedade

    A orientação dos especialistas para navegar entre ativos e retornos é a cautela e a diversificação criteriosa.

    Conforme Camilo, o investidor deve focar na qualidade dos ativos e na composição dos fundos, em vez de se basear apenas no desempenho passado.

    Perri sugere que o investidor adote políticas próprias, como nunca concentrar mais de 1% da carteira em um único emissor. Ele menciona também que investir em fundos de crédito, que já são diversificados por essência, com 40 a 45 papéis, também pode ser uma alternativa. Ademais, se um investimento parecer problemático e inadequado ao perfil de risco, o investidor deve considerar vendê-lo antes que ocorra um evento de crédito, pois depois torna-se mais difícil sair sem perdas significativas.

    Caso o perfil do investidor não tolere a volatilidade e o risco de crédito atuais, migrar para títulos do Tesouro Direto ou ativos bancários com garantia do FGC pode ser a escolha mais segura.

    “O mercado de capitais no Brasil ainda carece de um amadurecimento significativo e de uma melhor precificação do risco”, assevera Marcos Camilo.

    O lapso de alívio: 2027 e 2028

    Para quem aguarda uma melhora rápida, a análise de Bruno Perri é de precaução. Ele prevê um período de “ajuste de cintos” que deve perdurar durante 2026. “As empresas devem se preparar para um momento complexo devido aos juros altos e ao baixo crescimento. A previsão é de que a situação melhore somente em 2027 ou 2028, com taxas de juros menores proporcionando alívio estrutural para o caixa”, explica. Isso porque uma diminuição consistente na Selic requer cerca de um ano para ser plenamente perceptível nos balanços, reduzindo os gastos financeiros e liberando capital para a operação.

    Nesse intervalo, as empresas endividadas devem focar na redução do endividamento à medida que os vencimentos vão ocorrendo.

    Para o investidor, o cenário de crise abre uma oportunidade, mas que exige uma seleção técnica criteriosa. Enquanto o mercado se mostra avesso ao crédito privado, preferindo a segurança do Tesouro Direto ou de ativos bancários com garantias, surgem chances de adquirir títulos de empresas de alta qualidade com taxas muito superiores às de meses anteriores.

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    Fonte: Bora investir

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    Morelli
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    Morelli é mentor de posicionamento digital, estrategista de autoridade e trader profissional. Atua formando criadores de conteúdo e operadores de mercado com clareza, direção e resultados reais. Seu trabalho combina mentalidade, técnica e presença digital para transformar talentos em referências.

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