Apesar de vivenciarem anos favoráveis no mercado, encontrar uma maneira de ultrapassar o referencial pode representar um desafio considerável para a maioria dos administradores ativos no setor de fundos de investimento. Isso é evidenciado no relatório SPIVA (S&P Indices Versus Active), pesquisa global da S&P Dow Jones Indices que coteja o desempenho de fundos ativos com seus respectivos índices de referência.
Ao encerrar o ano de 2025, segundo Cristopher Anguiano, diretor da S&P Dow Jones Indices, durante o ETF Day RJ, dados apontam uma mensagem já conhecida por quem investe a longo prazo: consistência na obtenção de alfa é algo raro. “Em prazos extensos, superar o referencial torna-se bastante desafiador. Não é impossível, porém extremamente difícil”, resumiu.
O ano de 2025 caracterizou-se pela recuperação no Brasil
Após um período desafiador em 2024, o mercado brasileiro de ações se reabilitou em 2025. O S&P Brazil BMI (utilizado como benchmark para a gestão de ações no estudo) teve um avanço de 32,2% no período, refletindo uma tendência majoritariamente ascendente. As companhias de grande porte, avaliadas pelo S&P Brazil LargeCap, apresentaram um aumento de 31,7%, enquanto as empresas de médio e pequeno porte, mensuradas pelo S&P Brazil MidSmallCap, encerraram o ano com uma alta de 34,2%.
Todavia, 58,0% dos fundos de médio/pequeno porte do Brasil e 50,0% dos fundos de ações do Brasil não conseguiram superar seus benchmarks.
Conforme Anguiano, tais dados evidenciam que, no curto prazo, ainda há margem para diferenças, principalmente em mercados com maior disparidade nos retornos, como os emergentes. Contudo, a longo prazo, torna-se mais complicado obter vantagem por meio da gestão ativa.
No período de dez anos que se encerrou em 2025, a grande maioria dos administradores ativos brasileiros não conseguiu manter um desempenho superior aos índices: 90,8% dos fundos de ações ficaram aquém do benchmark.
Essa tendência não se restringe ao Brasil. Dados globais do SPIVA indicam que, tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes, a proporção de gestores que superam os índices diminui à medida que se alonga o horizonte de investimento.
Variabilidade e possibilidades
Nos mercados emergentes, a maior variabilidade nos resultados das empresas poderia, em tese, propiciar mais oportunidades para gestores ativos selecionarem ações vitoriosas. Entretanto, essa diversidade também acarreta riscos. O próprio SPIVA ilustra essa questão ao analisar o desempenho por quartis. No Brasil, por exemplo, o excedente de retorno médio dos gestores no primeiro quartil chega a 7,1%, enquanto no terceiro quartil o retorno relativo já é negativo.
“Isso salienta a importância de escolher o gestor com cautela”, afirmou Anguiano. “Os resultados demonstram que há vencedores, porém identificá-los de maneira consistente ao longo do tempo é complicado.”
Fonte: Bora investir

