O ramo de agrobusiness é um dos setores mais relevantes da economia do Brasil. No ano de 2025, a agricultura representou um terço do crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil. O segmento expandiu 11,7% em relação a 2024 e está inserido no cotidiano dos cidadãos brasileiros, seja através da alimentação ou mesmo de investimentos.
Maneiras de investir no agrobusiness brasileiro pela Bolsa
Para aqueles interessados em aportar recursos nesse setor, a bolsa de valores oferece diversas modalidades de investimento que facilitam o fomento – e a rentabilidade – ao agrobusiness. Conheça essas opções:
Cédula do Agricultor (CPR)
Os Títulos do Produtor Rural (CPRs) são documentos de rendimento fixo que podem ser emitidos por fazendeiros ou suas cooperativas. Existem três categorias de CPRs: físicas, financeiras e ecológicas. Na CPR Física, o investidor recebe a mercadoria agrícola na data de vencimento do título. Por outro lado, na CPR Financeira, o pagamento é feito em dinheiro, com valor e prazo determinados no documento. Já a CPR Verde compensa serviços ambientais, como a preservação de florestas nativas.
Durante o período de investimento, o investidor recebe juros sobre o capital, os quais são isentos de Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Esses títulos já atingiram mais de R$ 6 bilhões em emissões para investidores individuais, desde agosto de 2025. Esse montante foi obtido em 14 emissões, totalizando 4 milhões de unidades e atraindo mais de 26 mil investidores.
Certificado de Crédito do Agrobusiness (CRA)
Outro ativo de renda fixa é o Certificado de Crédito do Agrobusiness (CRA). Os CRAs são emitidos por empresas de securitização, que usam o fluxo de caixa futuro como garantia para empréstimos destinados a financiar a produção, venda, processamento, industrialização ou aquisição de insumos e equipamentos.
Título de Crédito do Agrobusiness (LCA)
Completando a gama de renda fixa, o LCA é uma forma de captação de recursos voltada para negócios no setor do agrobusiness. As LCAs são títulos emitidos por instituições financeiras e lastreados em operações de crédito nesse setor.
Fiagros
Os fundos de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais (Fiagros) foram inspirados nos Fundos Imobiliários (FIIs) e adaptados para o contexto rural. O Fiagro pode investir em uma diversidade de ativos, como: títulos de crédito ou papéis mobiliários do setor agro, direitos de crédito do agrobusiness e inclusive cotas de fundos de investimento que destinam mais de 50% de seu patrimônio nesses ativos.
Ações de empresas do agrobusiness
Na área de ativos de renda variável, uma alternativa são as ações de empresas do setor agrobusiness negociadas na bolsa de valores. Dentro desse mercado, existem diversos segmentos, como cana-de-açúcar, soja, carne ou outra commodity desse ramo.
Alguns exemplos são: Minerva (BEEF3), Amaggi (AMAG3), Cosan (CSAN3), BRF (BRFS3) e muitos outros!
Commodities no Mercado de Futuros
Outra opção de renda variável é investir em produtos para exportação do agrobusiness através do mercado futuro. Atualmente, existem 10 tipos de produtos com contratos disponíveis para negociação na B3: café arábica 4/5, café conilon, etanol, pecuária, milho, soja e ouro.
Vantagens e desafios dos investimentos no agro
Como mencionado, o segmento oferece opções em diversos tipos de aplicações, com características, estruturas e níveis de risco diversos. De acordo com Leandro Zanetti, economista e sócio da Forum Investimentos, o primeiro passo antes de selecionar um instrumento específico é considerar o perfil do investidor.
Ele ressalta que as LCAs, emitidas por bancos, se destacam por sua baixa exposição a riscos, pela garantia do FGC, que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira (limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos), e pela isenção de imposto de renda para pessoas físicas. “Porém, o retorno tende a ser mais modesto em comparação a outras aplicações”.
“Nos títulos privados, como CRA e CPR, a vantagem também é a isenção de imposto de renda. No entanto, o risco está associado ao crédito privado e não há proteção do FGC, que ampara somente emissões bancárias. Por outro lado, esses ativos costumam oferecer retornos um pouco superiores” destaca.
Quanto aos Fiagros, Zanett observa que os rendimentos também são isentos de IR para pessoas físicas. Esses títulos são negociados em bolsa, de forma semelhante aos fundos imobiliários, e geralmente distribuem proventos mensais aos cotistas. “Existem diversas estruturas: há Fiagros orientados para créditos e outros para participações. No entanto, a maioria está exposta ao crédito privado do setor, o que implica um nível de risco mais elevado”.
De modo mais geral, de acordo com Rafael Bellas, coordenador de Alocação da InvestSmart, os benefícios de investir no agro incluem a resiliência do setor, isenção fiscal sobre alguns produtos e a diversificação da carteira. “No entanto, os riscos são inerentes e abrangem aspectos climáticos (eventos adversos), de commodities (flutuações de preços globais), cambiais (custos em moeda estrangeira) e de crédito (inadimplência)”.
Diversificação e mitigação de riscos no agro
Para reduzir os riscos ao investir em ativos do agrobusiness, Bellas destaca a importância da diversificação dentro do próprio setor, combinando diferentes tipos de ativos (fixos e variáveis), diversificando por sub-ramos (grãos, cana-de-açúcar, pecuária, etc.) e geograficamente.
“A diversificação dentro do agro auxilia na redução de riscos específicos de cada ativo, equilibra retornos e potencialmente melhora a resiliência da carteira, visto que o setor costuma passar por diversos ciclos, agrícolas, pecuários, climáticos e de mercado e ao ter exposição diversificada, não fica vulnerável a apenas uma fonte de risco ou retorno”, afirma Gustavo Moreira, consultor financeiro, especializado em investimentos e sócio da InvestSmart XP.
Visão futura para o agrobusiness
Segundo Caio Tonet, diretor institucional da W1 Inc., o agrobusiness é um setor que ainda pode se beneficiar muito com a eficiência em tecnologia e organização, “pois o Brasil nunca teve uma atividade agrícola tão profissional como atualmente. Temos o potencial de aumentar significativamente a produtividade nos próximos anos.”
“No Brasil, espera-se um ganho de eficiência ao longo do tempo, com melhorias na logística agrícola e nas tecnologias. Atualmente, há uma pressão considerável no crédito rural”, explica o diretor da W1 Inc. Isso porque o aumento das taxas de juros no Brasil resultou em um aumento nos custos de financiamento, o que prejudicou diversas empresas, já impactadas pela redução das margens de lucro devido à desvalorização das commodities. “São, naturalmente, altos e baixos, mas prevemos melhorias que podem beneficiar os investidores a longo prazo”, completa.
Gustavo Moreira lembra também que globalmente, a demanda por alimentos e commodities agrícolas está em alta, o que reforça as perspectivas de longo prazo para o setor, embora desafios como questões climáticas, infraestrutura e volatilidade de preços devam ser monitorados de perto.
Já Zanetti destaca que os principais riscos continuam sendo de natureza climática e geopolítica, que podem afetar tanto a produção quanto a logística e o comércio internacional.
Fonte: Bora investir

