O valor do Monero (XMR) aumentou consideravelmente esta semana após uma transação suspeita de US$ 120 milhões em moedas estáveis passar por uma série de trocas entre redes, plataformas de negociação e serviços de conversão rápida. A elevação chamou atenção especialmente porque parte dos fundos teria sido utilizada para adquirir a criptomoeda de anonimato, conhecida por dificultar o rastreamento de transações.
De acordo com o pesquisador onchain ZachXBT, uma quantia de 120,2 milhões de USDT foi recebida na rede Tron na quinta-feira. O USDT é a principal moeda estável do mercado e busca manter paridade de 1 para 1 com o dólar. A Tron, por sua vez, é uma blockchain frequentemente empregada para transferências da moeda digital devido aos seus custos reduzidos.
Após receber os fundos, a entidade por trás da carteira começou a separar o dinheiro e enviá-lo para diferentes destinos. Uma parte foi usada para adquirir Monero, uma criptomoeda projetada para ocultar remetentes, destinatários e valores das transações.
As ordens de compra foram suficientemente significativas para impactar o mercado. Segundo ZachXBT, a pressão de compra fez o XMR subir até 33%, saindo de aproximadamente US$ 330 para o pico de US$ 438. Posteriormente a esse movimento, o token reduziu os ganhos e estava sendo negociado por volta de US$ 382 durante a manhã desta sexta-feira (12), ainda com um acréscimo de cerca de 8% no dia.
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A influência no preço também reflete a menor liquidez do Monero em comparação com criptomoedas maiores, como Bitcoin e Ethereum. Devido ao XMR não ter um volume de negociação tão elevado, uma grande compra pode resultar em oscilações rápidas e substanciais.
Os restantes dos fundos foram distribuídos por outras vias. ZachXBT identificou mais de US$ 12 milhões enviados para endereços de depósito na exchange KuCoin e aproximadamente US$ 8 milhões direcionados a serviços de troca instantânea, que possibilitam a conversão rápida de uma criptomoeda em outra e, em alguns casos, com menos requisitos de verificação de identidade.
Outros US$ 8 milhões foram transferidos da rede Tron para as blockchains Bitcoin e Ethereum por meio do Near Intents, uma ferramenta de troca entre redes. Esse tipo de movimentação, que distribui recursos entre diversas moedas, exchanges e blockchains, é comum em tentativas de complicar o rastreamento do dinheiro.
A Tether, empresa emissora do USDT, também se envolveu no caso. Conforme ZachXBT, a firma colocou em lista negra um endereço relacionado à entidade que detinha 72 milhões de USDT. Na prática, isso indica que os tokens nesse endereço foram congelados e não podem mais ser movimentados ou convertidos.
A origem dos US$ 120 milhões ainda não foi esclarecida. Entretanto, o padrão da operação — movimentação rápida, compra de uma moeda de privacidade, uso de trocas instantâneas e transferência entre diferentes redes — é similar a rotas utilizadas para ocultar recursos ilícitos no mercado de criptomoedas.
O congelamento executado pela Tether reforça a suspeita de que a transação possa ter sido considerada irregular. Como o USDT é uma moeda estável emitida por uma empresa centralizada, a Tether tem a capacidade de bloquear tokens em endereços específicos, característica que geralmente é empregada em situações envolvendo invasões, fraudes ou investigações por autoridades.
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Fonte: Portal do Bitcoin

