Uma criptomoeda chamada USD1, emitida pela World Liberty Financial, um projeto criptográfico associado à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi utilizada para remunerar lutadores em um evento do UFC que ocorreu nos gramados da Casa Branca no último domingo (14).
O UFC comunicou na sexta-feira que a World Liberty Financial estava apoiando um fundo de recompensa de desempenho de US$ 250 mil no UFC Freedom 250, um campeonato de artes marciais mistas realizado nos jardins ao sul da residência presidencial. O evento coincidiu com o 80º aniversário de Trump. Os pagamentos foram feitos em USD1 aos lutadores envolvidos em sete lutas.
Essa iniciativa se destaca como uma das maiores oportunidades de promoção da USD1 até o momento. A criptomoeda é emitida pela World Liberty Financial, uma companhia de criptografia associada à família Trump, e objetiva manter equivalência com o dólar.
A utilização da moeda digital em um evento esportivo realizado na Casa Branca aumenta a visibilidade pública desse ativo em um momento no qual a World Liberty tenta solidificar sua presença no mercado de criptomoedas estáveis. A quantidade em circulação da USD1 cresceu de aproximadamente US$ 3,3 bilhões em 1º de janeiro para cerca de US$ 4,6 bilhões.
A World Liberty também requisitou uma licença bancária ao Office of the Comptroller of the Currency, a agência reguladora dos bancos nos EUA. Essa ação demonstra a intenção da empresa de expandir suas operações no sistema financeiro regulamentado, em meio ao avanço das criptomoedas estáveis como infraestrutura de pagamentos e compensações.
Apesar da exposição, o projeto tem estado envolvido em polêmicas. Reportagens anteriores revelaram que a World Liberty havia tomado emprestado mais de US$ 75 milhões em criptomoedas estáveis dentro do protocolo de empréstimos descentralizados Dolomite. Essa operação utilizou 3 bilhões de tokens de governança WLFI como garantia e envolveu depósitos em USD1.
De acordo com o artigo, o empréstimo resultou em uma utilização de 93% no pool de USD1. Na prática, isso implicou que os depositantes individuais que haviam emprestado USD1 ao protocolo, esperando conseguir sacar os fundos livremente, foram temporariamente impossibilitados de retirar os valores até que uma parte dos empréstimos fosse quitada.
A World Liberty pagou US$ 25 milhões da dívida e, alguns dias depois, emitiu US$ 25 milhões em novas unidades de USD1, em uma administração ativa da criptomoeda estável durante abril. Na época, a empresa optou por não comentar sobre o assunto.
A empresa também está enfrentando uma disputa legal com Justin Sun, fundador da Tron e um dos primeiros compradores dos tokens de governança WLFI. Sun moveu um processo contra a World Liberty alegando que seus tokens foram congelados sem justificativa. A companhia respondeu com uma ação por difamação.
A utilização da USD1 no UFC Freedom 250 foi vista por especialistas como uma estratégia de marketing. Todd Phillips, especialista em criptomoedas do Klaros Group, declarou ao The Guardian que remunerar lutadores com essa criptomoeda estável teve o mesmo propósito econômico que emitir um cheque, porém com uma repercussão simbólica distinta.
“Fazer o anúncio público de que estão optando pela USD1 parece ser uma forma de propaganda para mostrar ao mundo que a USD1 está em circulação, conectada ao UFC e à Casa Branca”, afirmou.
A relação entre o projeto criptográfico e Trump também levanta dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse. O registro financeiro do presidente menciona seu investimento na World Liberty Financial acima de US$ 50 milhões. A administração assegura que não há nenhum conflito de interesse e que os ativos de Trump são geridos por um trust administrado por seus filhos.
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Fonte: Portal do Bitcoin

