Os investimentos de juros fixos oferecem a estabilidade da previsibilidade. Na ocasião da aplicação, fica claro o método de cálculo do lucro. É factível, dessa forma, calcular qual será o ganho após um tempo preestabelecido, ou, inversamente, estimar quanto tempo será necessário para atingir um valor específico.
Vamos considerar uma aplicação inicial de R$ 10 mil. Em que momento ela conseguirá duplicar de valor? O planejador financeiro e especialista em aplicações Jeff Patzlaff calculou o prazo exigido em três variedades de papéis do Tesouro Direto. Confira abaixo.
Em quanto tempo o dinheiro investido de R$ 10 mil será duplicado na renda fixa
| Aplicação | Rendimento | Prazo (meses) | Valor total bruto |
| Tesouro Selic | SELIC + 0,0839% | 60 | R$ 20.633,96 |
| Tesouro Prefixado | 13,70% | 65 | R$ 20.046,38 |
| Tesouro IPCA+ | IPCA + 7,56% | 76 | R$ 20.152,86 |
Para efetuar as projeções, Jeff Patzlaff se valeu dos índices de Selic e do IPCA (Indicador de Preços ao Consumidor Amplo) registrados em março de 2026, ou seja, 14,75% e 4,14% respectivamente.
Dado que ambos os índices se modificam com o decorrer do tempo, o período exato para que os R$ 10 mil dobrem de valor pode variar em relação aos dados da tabela.
É importante também considerar o Imposto de Renda progressivo que incide sobre o valor total bruto acumulado no Tesouro Direto. No período mencionado acima, a aplicação se enquadraria na faixa menor da tributação, uma vez que as alíquotas são:
- Até 180 dias (6 meses): 22,5%
- 181 a 360 dias (6 meses a 1 ano): 20%
- 361 a 720 dias (1 a 2 anos): 17,5%
- Acima de 720 dias (mais de 2 anos): 15%
Renda fixada e receita variável
As aplicações recebem as classificações de juros fixos e juros variáveis conforme seu modo de atuação e a consquente previsibilidade nos ganhos.
A receita variável é o ramo em que o lucro financeiro não pode ser previsto antecipadamente. O capital aplicado oscila diariamente conforme o sentimento dos investidores influencia os mercados. Incluem-se nessa categoria as participações, os fundos imobiliários, ETFs, entre outros.
Por outro lado, a receita fixada é a classe de investimentos em que as normas de remuneração são estabelecidas no momento da aplicação. Isso não implica que o lucro seja sempre o mesmo — embora alguns títulos sejam prescritos —, mas sim que o investidor tem plena ciência de como será calculado o rendimento. São exemplos dessa modalidade os CDBs, LCIs, LCAs, debêntures e os papéis do Tesouro Direto apresentados na simulação.
Qual é o funcionamento do Tesouro Direto
Jeff Patzlaff justifica a escolha do Tesouro Direto para a simulação pois é o “investimento mais seguro do país”, uma vez que se trata de um programa da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
“Ao investir nele, você está concedendo empréstimo para o Governo Federal”, esclarece Patzlaff. “O Tesouro é transparente, tem despesas bastante baixas e você tem pleno conhecimento do que está adquirindo.”
Os títulos do Tesouro Direto são agrupados conforme seu tipo de rendimento. O Tesouro Selic, inicialmente apresentado na simulação, proporciona como retribuição a taxa básica de juros (a Selic) mais um acréscimo especificado no momento da aplicação. No cálculo de Patzlaff, o adicional seria de 0,0839%.
O Tesouro Selic se destaca por um diferencial relevante em relação aos demais papéis governamentais: proporciona liquidez diária. Em outras palavras, você pode resgatar o dinheiro a qualquer momento, sem perder o rendimento acumulado. Trata-se assim de uma aplicação ideal para uma reserva de emergência.
Tal como o próprio nome indica, a rentabilidade do Tesouro Prefixado é estática. Mantém-se a mesma do instante da aplicação até o momento do resgate. Na simulação, Patzlaff considerou um título prefixado com rendimento de 13,70% ao ano.
Por sua vez, a rentabilidade do Tesouro IPCA+ decorre do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país. Adiciona-se à taxa outro percentual de bonificação fixo, especificado no momento da aplicação (os 7,56% exibidos na tabela acima. “É o único [título do Tesouro Direto] que garante que você vai ter proveito da inflação, não importando o que ocorra com a economia do país. É a disparidade entre dobrar o número na tela do banco e dobrar a sua riqueza na vida real”, comenta Patzlaff.
Tanto o Tesouro Prefixado como o IPCA+ contam com rentabilidade apenas no momento do vencimento do título, ou seja, o valor deve permanecer investido pelo prazo estipulado no momento da aplicação, sob pena de perda dos ganhos e até do capital investido. Para quem mantém o título até a data, o retorno é assegurado.
*Texto publicado originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir
Fonte: Bora investir

